Criatividade na ilustração: Mary Cagnin nos conta como é seu processo criativo

Quem trabalha com arte e ilustração precisa da criatividade. Para ajudar, convidamos a quadrinista Mary Cagnin para falar sobre seu processo criativo.

Criatividade
Cakendário – Signos – Mary Cagnin

Ela é ilustradora e quadrinista profissional desde 2014. Publicou seu primeiro quadrinho em 2008. Além dos quadrinhos e ilustrações ela também dá cursos de artes e mantém um canal no Youtube!

A Mary, além de ter muito talento e criatividade na ilustração, é uma pessoa doce, acessível, e com uma visão de mundo que vale uma espiadinha.

Eu já devorei li seu quadrinho mais importante, o Black Silence, e acompanho a webcomic Bittersweet, que está em andamento pelo Tapas e pelo Instagram dela. Ambos são aquela leitura que prende pelo roteiro, mas também pela beleza do traço da artista.

Há alguns meses, ela nos concedeu gentilmente uma entrevista para o nosso canal no Youtube falando sobre criatividade na ilustração. Também nos contou sobre sua trajetória como artista profissional e sobre o seu processo criativo.

Então eu achei que seria legal selecionar os trechos mais relevantes dessa conversa sobre criatividade e ilustração para ajudar você no seu processo criativo!

Como surgiu o seu interesse por desenhar e roteirizar?

Mary: “Eu comecei a fazer quadrinhos porque eu tinha várias histórias e personagens que eu criava desde criança. Comecei a ter contato com o universo dos quadrinhos com Turma da Mônica, Menino Maluquinho… mas quando chegaram os mangás no Brasil eu me identifiquei…

Depois eu comecei a criar os meus próprios quadrinhos, mas eram basicamente cópias de coisas que eu gostava, que eu me identificava.

Depois disso que comecei a criar histórias e personagens mais próprios.”

O que foi determinante para você decidir criar algo seu, não ficar só reproduzindo?

Mary: “Acho que foi um processo natural. Num determinado momento comecei a imaginar novos personagens e histórias e pensei: por que não?

Nunca parei pra pensar muito no que eu estava fazendo, por que eu estava fazendo, eu só fiz.”

Qual o seu trabalho que você considera o mais criativo?

Mary: “O Vidas Imperfeitas, que foi o meu primeiro quadrinho na internet… antes dele eu nunca mostrei para ninguém o que eu estava fazendo.

Esse foi o primeiro que eu publiquei e comecei a receber feedback e fiquei mais animada para publicar mesmo o que eu estava fazendo.

Depois do Vidas Imperfeitas eu lancei o Black Silence, que foi um grande desafio, porque até então eu escrevia histórias que eram mais do meu cotidiano. Eu me orgulho desse trabalho porque eu me desafiei a sair da minha zona de conforto.

E o Bittersweet, que eu decidi transformar a história que era inteirinha escrita em uma webcomic.”

Os seus personagens são complexos, são interessantes, a gente acaba se identificando em algum grau com eles…

Mary: “Sim, eu sempre tive essa preocupação de criar personagens que fossem palpáveis…

No Bittersweet teve uma coisa que é muito pensada, porque como ele é muito mangá, uma coisa que me davachateava é que quando eu lia os mangás as personagens femininas eram fracas, elas não tinham controle sobre o próprio destino, e isso era uma coisa que me incomodava.

Então, eu vou criar uma coisa que eu gostaria de ler nas histórias…

Mas isso é só uma das coisas, eu sempre procurei fazer personagens que sejam humanos, que tenham qualidades e defeitos, que você possa duvidar da moral deles.

Eu sempre gostei de estudar psicologia para ajudar a criar esses personagens mais palpáveis, com os quais as pessoas possam se identificar.”

Me chamou a atenção sua escolha de personagens tentando contemplar uma parte das pessoas que não estava representada. Me pareceu uma situação não só de criar uma personagem interessante e tal, mas também de resolver um problema de forma criativa… Não existem personagens femininas fortes, então eu vou criar as minhas! O que você acha da criatividade para resolver problemas?

Mary: “Eu nunca tinha parado para pensar sobre isso, mas para pessoas que são criativas… a gente acaba resolvendo muitas coisas da nossa vida usando a criatividade.

Acho que é natural a gente acabar usando a criatividade em outras áreas da nossas vidas. Porque também a gente tá sempre indo atrás de consumir coisas relacionadas com o que a gente faz… a gente está lendo um livro, assistindo um filme, uma série, ouvindo música, discutindo música…”

Você já passou por alguma situação de ter dificuldade de criar?

Mary: “Com certeza. Eu vejo uma diferença grande de como eu lidava com essas coisas antes de trabalhar com ilustração e depois de trabalhar com ilustração.

Sempre que eu ficava travada eu acabava me sentindo culpada e ficava um tempão sem produzir nada… E quando eu comecei a trabalhar com ilustração não tinha como, porque eu tinha prazos, eu precisava entregar esse trabalho.

Eu tive um professor que falava: sempre que você tem um projeto, vai anotando as ideias, vai rascunhando e uma hora você vai encontrar a melhor ideia. E aí isso mudou.

Antes eu achava que tinha que sair a ideia pronta da minha cabeça, então eu comecei a fazer um caderno pra ir anotando, rascunhando.

E às vezes a gente tá muito na ideia de que tem que ser perfeito… e às vezes entregar dentro do prazo não vai significar que você vai estar entregando a melhor ideia, mas você tá entregando.

Com o tempo e a prática você vai conseguindo entregar um trabalho melhor mesmo num tempo mais curto.”

Criatividade na Ilustração: Mary Cagnin nos conta como é o seu processo criativo - love
Arte de Mary Cagnin
Como você lida quando o resultado não é tão bom quanto você esperava?

Mary: “Eu acho que é uma questão da gente trabalhar nossas expectativas. Quando a gente cria uma expectativa muito grande com algum trabalho você se frustra muito, então eu tento aliar a expectativa com a realidade.

Às vezes a gente tem uma expectativa e o cliente tem outra expectativa, às vezes pra você o trabalho não ficou muito bom e para o cliente ficou ótimo, você resolveu o problema dele. E às vezes acontece o contrário também.

Mas é questão de prática, de conversar muito com o cliente, deixar bem claro para ele o que você vai entregar, para não sair nenhuma das partes muito frustrada ou decepcionada.”

O que você aconselharia para quem está começando?

Mary: “Pratique muito. Pratique sempre. E evite ficar se comparando com outros artistas, porque quando a gente vê um grande artista hoje a gente não sabe de toda história, tudo que ele teve que passar para chegar até aqui.”

Gostou dessa entrevista? Ajudou a pensar a sua criatividade na ilustração? Se quiser ver o que mais a Mary nos contou, clique aqui e assista o vídeo!

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Acompanhe também o trabalho da Mary Cagnin no Instagram e no Youtube!

Vem com a gente, criativa! 😉